InovaçãoInnovation

A revolução do 5G que pode impulsionar a economia aberta no Brasil

A tecnologia 5G, que se tornou realidade com a estreia antecipada feita pela Coreia essa semana, representa muito mais do que apenas um aumento de velocidade para a transmissão de dados. Enquanto a evolução do 3G para o 4G gerou um impacto limitado nos modelos de negócios - embora tenha viabilizado a indústria de filmes em streaming - o 5G representa, de fato, uma verdadeira Transformação Digital.

Inicialmente esperada para chegar ao Brasil em 2023, a tecnologia 5G já estará pronta para o varejo brasileiro na primeira metade de 2020, apesar das muitas dúvidas, principalmente as relacionadas à legislação no Brasil. Essas incertezas existem porque as antenas de 5G, para suportarem a baixíssima latência da tecnologia, precisam estar a cada 200 metros de distância uma da outra (enquanto as atuais podem estar a quilômetros). Além disso, o custo da concessão de frequências, por Gigabit, ainda é muito alto no País.

Mas isto tudo será superado pela força das possibilidades de inovação que o 5G carrega. Embora o tipo de evolução 3G/4G seja o mesmo do 4G/5G – representado pelo aumento de velocidade - a dimensão desta evolução e o impacto na percepção do usuário são muito diferentes. Na evolução anterior, saímos de 30Mbps para 200Mbps (valores de topo da oferta do varejo), enquanto chegar ao 5G vai nos levar para 5Gbps.

Em termos de experiência do usuário, havíamos melhorado cerca de seis vezes quando chegamos no 4G. Agora a percepção vai melhorar 25 vezes.

Mas o mais importante não é o número absoluto da velocidade de transmissão de dados, que já teve testes confirmados no Brasil a 650 Mbps. O fundamental é que o novo patamar da conexão ultrapassará a capacidade humana de absorver imagens, sons e outras sensações.

O atual 4G, e mesmo o que chamamos de 4,5G, trafega ao redor do limite de nossa capacidade de compreensão, com alguns serviços acima e muitos abaixo dela. Isso porque a maioria dos contratos de varejo do 4G não entrega o máximo da capacidade da tecnologia, o que impede, por exemplo, de assistir filmes em resolução 4K e com som 5.1, aquele de Home Theaters sofisticados que dão a sensação de movimento às cenas da tela. E esta limitação do usuário faz com que as operadoras de streaming limitem muito os títulos oferecidos neste formato.

Com o 5G, a expectativa é que o valor do contrato médio (não do topo, que é sempre destinado a um grupo limitado de consumidores abastados) permita que grande parte dos consumidores tenha acesso a uma experiência que supera o que o ser humano é capaz de absorver. Em outras palavras, teremos uma capacidade de transmissão de dados com uma qualidade que deve atingir e superar o que olhos e ouvidos humanos são capazes de distinguir, e esta experiência plena será a mesma para todos os consumidores.

Além disso, algumas das frequências do 5G têm maior habilidade de travessia de elementos sólidos, o que faz com que o sinal de uma antena no exterior do prédio atinja a todos os seus ambientes, mesmo aqueles mais internos.

A maior parte dos cabos que ocupam os postes das cidades brasileiras – fibra ótica, telefone, TV a cabo, backbones de internet dedicada, etc. se tornarão obsoletos e desaparecerão em breve. As cidades agradecem.

E também não precisaremos mais de roteadores wi-fi porque os dados serão entregues diretamente a cada equipamento – Tablet, Smart TVs, smartphones, computadores, geladeiras ou robôs, diretamente da antena emissora na torre externa.

Claro que não faltarão aplicações para toda esta performance. Exames de alta complexidade, que geram grande quantidade de imagens de altíssima definição, passarão, enfim, a compor o rol de recursos da telemedicina, que é o atendimento remoto por profissionais ou robôs, com orientação de médicos à distância.

O impacto na necessidade de armazenamento ainda não é claro. A lógica indica que a nuvem terá um impulso comercial, pois o acesso a ela será muito mais rápido. Mas o comportamento do consumidor pode ir em outra direção, optando por baixar e ter grandes quantidades de dados em suas máquinas. O tempo dirá.

Mas, seguramente, os aplicativos web que não são instalados na máquina do usuário passarão a ter a mesma performance que a vista na versão local. A indústria de máquinas como computadores sem disco, com baixa capacidade de processamento e baixíssimo custo, os netbooks, florescerá.

Por fim, e mais importante: o 5G passa a ser elemento de processamento e não apenas de transmissão. À medida que a velocidade cresce tanto a ponto de possibilitar que o resultado de uma operação possa estar em um servidor do outro lado do mundo instantaneamente, estes dois servidores passam a trabalhar como um só. E então teremos, finalmente, todos os computadores do mundo, efetivamente conectados, como previsto por Isaac Asimov há mais de 30 anos. A capacidade global de encontrar soluções aumentará a tal ponto que supercomputadores passarão a ser plataformas compartilhando suas capacidades de processamento simultaneamente.

Desta forma, o modelo de Open Economy será fortemente impulsionado, pois o uso de grande quantidade de diferentes serviços web em uma única aplicação não implicará mais em perda de performance para o usuário.

Tudo isso está a apenas um ano de distância de nós, no Brasil. Os grandes fornecedores de equipamentos já estão entregando modelos 5G Ready por aqui.

No Natal deste ano, o presente típico debaixo da árvore provavelmente será um equipamento que ainda não foi apresentado, que faz algo que ainda desconhecemos e que usará as habilidades e capacidades do 5G.