Inovação

Biohacking: uma inovação disruptiva para o setor de seguros?

A busca por hábitos saudáveis tem sido cada vez mais intensa. As pessoas investem em diferentes serviços e produtos visando qualidade de vida, bem-estar e longevidade. E essa nem sempre é uma jornada simples, porque cada ser humano tem um mecanismo próprio de funcionamento.

Mas, como seria se você pudesse saber exatamente como o seu corpo se comporta? Ficaria bem mais fácil adotar uma rotina de cuidados. Bom, essa técnica é uma inovação disruptiva que já está ao alcance de todos. Conhecida como biohacking, ela tem como objetivo aumentar o desempenho do seu corpo em todos os sentidos. 

Parece até ficção científica, mas é uma das tendências de transformação digital e tecnologia de 2020, de acordo com relatório do CB Insights

Quer conhecer o conceito e os possíveis riscos desta técnica? Continue lendo o artigo! 

Conceito: o que é biohacking?

O principal objetivo do biohacking é hackear o corpo. Ou seja, fazer um mapeamento completo, identificando, inclusive, os pontos falhos, para otimizar todo seu funcionamento. Acima de tudo, a técnica consiste em explorar tanto a tecnologia quanto a biologia para maximizar o desempenho corporal. 

Na prática, a adoção de hábitos saudáveis também pode ser considerada biohacking. Exercício físico e nutrição, por exemplo, são parte disso. Afinal, essas práticas contribuem para o bem-estar das pessoas.

Contudo, os experimentos de biohacking vão muito além. O movimento explora as diferentes possibilidades da biologia e a inovação disruptiva para oferecer máximo desempenho às pessoas. Seja modificando um organismo ou molécula, seja usando um equipamento biológico ou as novas tecnologias, o biohacking ganha cada vez mais adeptos.  

Inovação disruptiva: como funciona o biohacking

Na prática, a técnica de biohacking pode ser usada de duas maneiras. 

Abordagem interativa: as pessoas buscam melhorar exponencialmente o desempenho do corpo usando implantes ou coquetéis de suplementos, os stacks

Dentro da técnica, a realização de implantes de chips dentro do cérebro é uma inovação disruptiva de destaque. Conhecidos como Grinders, estes biohackers são considerados mais radicais já que aliam o corpo biológico com componentes eletrônicos.  

Um caso de uso é a injeção de hormônio que proporciona uma espécie de visão noturna para o biohacker. Depois da injeção, é possível enxergar no escuro como se fosse de dia e com total nitidez.

Abordagem não interativa: permite a adoção da técnica sem o uso de qualquer intervenção. Os biohackers adeptos deste modelo utilizam elementos externos, como hábitos, para melhorar a performance pessoal. São práticas comuns: o uso de luz azul para ter um sono mais profundo e o jejum intermitente para aumentar os níveis de energia.

Jack Dorsey, CEO e Fundador do Twitter, é adepto do regime de biohacking e do jejum intermitente. Por isso, ele come apenas uma refeição nos dias de semana e não come nos fins de semana. Tudo pela saúde! 

Estudos apontam que este tipo de dieta diminui a pressão arterial, melhora a resistência ao estresse e reduz os níveis de gordura no sangue. Além disso, desacelera a frequência cardíaca e diminui a inflamação no organismo. 

Biohacking: quais os riscos da técnica?

Apesar do entusiasmo dos biohackers e da popularidade de algumas práticas, muitos métodos têm validade científica questionável e podem, inclusive, prejudicar os usuários. 

Nos Estados Unidos, em fevereiro de 2019, a FDA (Food and Drug Administration) emitiu um comunicado orientando consumidores para evitar transfusões de "sangue jovem". A prática, conhecida como parabiose, consiste em bombear sangue e plasma de um jovem nas veias de um idoso para prevenir o mal de Alzheimer, Parkinson, doença cardíaca e esclerose múltipla.

Contudo, a comunidade científica e os órgãos de saúde reguladores ainda tem dúvidas sobre a eficácia do procedimento e alertam sobre os riscos. Existem muitos problemas associados ao plasma, como vírus e outros aspectos desconhecidos.

Ainda assim, o tratamento ganhou popularidade na área do Vale do Silício, onde as pessoas pagam até US$ 8.000 por sessão. 

Além deste, outros métodos colocam em risco a saúde das pessoas, como os transplantes fecais. Até mesmo os stacks, suplementos nutricionais, devem ser administrados com a orientação médica, para evitar qualquer tipo de problema. 

Transformação digital no setor de seguros: é possível usar o biohacking?

Seja como for, com jejum intermitente, chips implantáveis ou injeções de DNA, o fato é que as pessoas usam as técnicas de biohacking para buscar saúde, qualidade de vida e longevidade. Fundamentalmente, o objetivo é 

manipular o corpo para aumentar o seu desempenho.

Com o amplo interesse em bem-estar e a transformação digital, que traz novas ferramentas tecnológicas, o biohacking está se tornando uma tendência global

Algumas técnicas são comercializadas com altos preços. Contudo, outras, especialmente aquelas não interativas, baseiam-se em cuidados de nutrição e bons hábitos que as pessoas deveriam seguir por padrão. 

Como uma técnica que orienta para um regime de autocuidado e bem-estar, o biohacking pode, inclusive, aumentar a expectativa de vida das pessoas. Para o setor de seguros, essa é uma oportunidade.

Insurtechs e seguradoras podem educar os clientes, apresentando a eles as possibilidades de uso do biohacking. Algumas companhias, inclusive, já fazem isso. 

O uso de dispositivos vestíveis (wearables), como os relógios inteligentes, é uma aplicação do conceito. 

Biohackers usam este tipo de ferramenta para monitorar a qualidade do sono e fazer os ajustes necessários na rotina, por exemplo. Enquanto isso, seguradoras exploram os dados obtidos com os dispositivos para prevenir situações de risco, estimular bons hábitos e personalizar ofertas

Certamente, muitas outras tecnologias serão incorporadas ao movimento de biohacking. O setor de seguros tem o desafio de acompanhar a transformação digital e pensar em como melhorar a qualidade das soluções, ajudando os segurados. 

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