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O efeito da pandemia da COVID-19 nos seguros

A pandemia causada pela COVID-19 está acelerando certas tendências de insurtechs e tornando outras irrelevantes.

Possivelmente apenas irão sobreviver à crise do coronavírus as seguradoras que forem ágeis o suficiente para investir em tecnologias de vento de cauda e despriorizar as que enfrentam vento contrário. 

Mas o que isso quer dizer? No jargão da aeronáutica, vento de cauda é aquele que sopra a favor da aeronave, ajudando-a a ganhar velocidade. Já o vento contrário, como diz o próprio nome, torna todo o processo mais lento e difícil.

No contexto atual, as insurtechs precisam investir em tendências que realmente sejam eficientes e não naquelas que provavelmente serão afetadas nos próximos meses ou anos. Continue a leitura deste post para descobrir quais tecnologias são essas!

Open Insurance: inovação para insurtechs 

Com a transformação digital acelerada, as seguradoras vêm buscando maneiras de simplificar os processos, para otimizar a operação, facilitar a negociação e aumentar os ganhos. O Open Insurance aparece como uma ferramenta que otimiza essa jornada de inovação.

O Open Insurance permite o compartilhamento das APIs (Application Program Interface), que fazem a integração de sistemas e serviços das seguradoras. Ou seja, uma corretora pode consumir a funcionalidade desenvolvida por outra, desde que ela esteja disponível em uma plataforma.

Na era do Open Insurance, as APIs são ferramentas que viabilizam a integração dos aplicativos em plataformas. 

 Quais tecnologias são relevantes no enfrentamento à pandemia?

Entre as tecnologias de vento de cauda, seis delas devem ser priorizadas pelas insurtechs neste momento de pandemia e pós-pandemia.

IA e análise preditiva

Todo este cenário de crise mundial em decorrência da COVID-19 traz incerteza à subscrição de seguros e à liquidação de sinistros. Conforme o setor se ajusta, será necessário procurar novos padrões nos dados e ajustar as práticas adequadamente. As seguradoras que usam técnicas emergentes como inteligência artificial, aprendizado de máquina e análise preditiva ganharão uma vantagem competitiva.

Seguros e telemática baseadas no uso

Conhecido como usage-based insurance, o seguro baseado no uso é um tipo de seguro de automóvel em que os prêmios dos tomadores mudam de acordo com a utilização do veículo e comportamento do motorista. Este é um tipo de produto que está sendo visto como vento de cauda durante a pandemia da COVID-19. 

Assim como a telemática, que são dispositivos para veículos que rastreiam o comportamento do motorista, como velocidade, distância percorrida, freadas bruscas e implantação do airbag. 

A telemática e o seguro baseado em uso têm se tornado interessantes aos consumidores já que a necessidade de direção tem diminuído drasticamente durante e após o lockdown

Abertura de sinistro virtual

Neste tipo de abertura de sinistro, os segurados podem enviar suas solicitações on-line ou por meio de um aplicativo. Essa nova possibilidade digital tem conseguido recriar a experiência digital nos seguros de P&C, principalmente neste momento de pandemia

Imagine apenas tirar uma foto de seus pertences ou danos de um veículo em vez de agendar uma visita de um representante de seguros em sua casa ou escritório para registrar a reclamação. Toda a experiência parece muito melhor, não é? Sem contar com a redução de custos trabalhistas do gerenciamento de sinistros para as seguradoras.

Seguro de risco cibernético

De acordo com esta reportagem da CB Insights, os ataques de hackers mais que dobraram entre fevereiro e março de 2020. Isso tem acontecido porque os funcionários remotos acarretam riscos adicionais à segurança, criando mais oportunidades para hacks.

O seguro de risco cibernético, então, cobre o risco de violações da segurança cibernética e já está notando um grande salto no interesse das empresas. 

Embora o preço deste ramo ainda seja alto, a demanda dos clientes cresceu, portanto, as seguradoras que decidirem incluí-lo em seu portfólio poderão manter ou aumentar a participação de mercado em várias ofertas.

Processamento de linguagem natural (PNL)

Os chatbots e outros usos da IA conversacional podem beneficiar as seguradoras em duas frentes: na redução dos custos de contratação de representantes de atendimento ao cliente e na melhoria da experiência do cliente. 

De acordo com a reportagem da CB Insights, as seguradoras têm uma das classificações mais baixas de satisfação do cliente, ganhando apenas do governo e das empresas de TV e internet a cabo. Com espaço significativo para melhorias, automatizar e acelerar o processo de atendimento ao cliente seria benéfico para as companhias.

Análise geoespacial

As análises geoespaciais usam fotos de satélite, GPS e outras tecnologias para avaliar o risco de subscrição e pedidos de sinistros. Semelhante ao seguro baseado no uso, as análises geoespaciais podem melhorar os preços das apólices de seguro, avaliando riscos com mais precisão e aumentando os retornos para as seguradoras. E não só isso, o uso dessa tecnologia ainda pode reduzir potencialmente os prêmios para os segurados. 

Quais tecnologias devem ser despriorizadas?

Em relação às tendências de vento contrário, citaremos duas: monitoramento doméstico inteligente e seguro ponto a ponto.

A Internet das Coisas e o monitoramento doméstico inteligente demoraram a decolar antes mesmo do COVID-19, principalmente devido à dificuldade de instalar dispositivos domésticos inteligentes e à falta de interoperabilidade entre os sistemas.

Muitas casas ainda não estão conectadas a dispositivos inteligentes, aumentando o custo e baixa procura pelo produto. Por isso, é improvável que os dispositivos de monitoramento doméstico decolem sem algum tipo de exigência regulatória, semelhante à maneira como os detectores de fumaça se tornaram amplamente utilizados. Essa tendência provavelmente permanecerá em segundo plano por mais algum tempo. 

Já o peer-to-peer insurance, ou seguro ponto a ponto, ainda é um produto muito novo no mercado. Ao contrário do que acontece nas apólices de seguro típicas, o seguro ponto a ponto permite que os segurados escolham seu pool de seguros para compartilhar prêmios e riscos, seja com familiares, amigos ou pessoas com interesses semelhantes. Após o período da apólice, quaisquer prêmios que sobrarem são devolvidos aos segurados.

No momento, a área não possui investimentos significativos de seguradoras estabelecidas. Dada a urgência de responder ao COVID-19, é improvável que áreas pouco exploradas como essa ganhem força a curto prazo.

Este cenário de pandemia está sendo desafiador para todos os setores da economia, e o mercado de seguros não fica de fora. Mas entender os novos usos e tendências da transformação digital pode significar a sobrevivência da empresa no momento pós-crise. Continue acompanhando os Trends da GR1D Insurance para mais conteúdos atuais!