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Covid-19 acelera a inovação tecnológica no setor de seguros

A inovação tecnológica tem impulsionado as seguradoras a se reinventar. Não bastasse ter de enfrentar a crescente concorrência de novos participantes, como as insurtechs, as companhias de seguros tradicionais estão enfrentando agora uma nova ameaça. A pandemia do Covid-19 tem acelerado o processo de inovação disruptiva do setor, beneficiando a inovação em seguros. 

No primeiro trimestre de 2020, mais negócios com insurtechs foram concluídos em relação ao mesmo período do ano passado. Embora o financiamento geral tenha caído 54%, de acordo com o Quarterly InsurTech Briefing de Willis Towers Watson.

Além disso, não houve rodadas de financiamento de unicórnios de US$ 1 bilhão ou mais e apenas uma megarrodada: a edição de US$ 100 milhões da Série D da PolicyGenius, segundo o relatório.

A Superintendência de Seguros Privados (Susep) já adiou a realização de um sandbox regulatório, por conta da pandemia e não tem data certa para sua retomada. O sandbox é a flexibilização das normas regulatórias vigentes, para que empresas de tecnologias desenvolvam novos serviços sem desrespeitá-las. 

Saiba mais sobre como o Covid-19 pode ser um catalisador da inovação disruptiva no setor de seguros. 

Como a pandemia pode alavancar a inovação disruptiva no setor de seguros

Segundo o CEO e fundador da Getsafe, Christian Wiens, a pandemia obrigou muitas empresas de resseguros a se adaptarem a novas formas de trabalhar, com vários níveis de sucesso.

Para algumas, as equipes de vendas ficaram restritas, pois precisam de tecnologia e experiência para vender digitalmente. Os processos manuais demorados de subscrição, atendimento ao cliente e tratamento de reclamações revelaram grandes desafios para quem trabalha em home office.

Porém, para empresas de seguros não dependentes de estruturas físicas de vendas ou processos baseados em papel, isso pode representar uma boa oportunidade para ampliar sua liderança tecnológica em relação aos concorrentes tradicionais.

Segundo Wiens, as insurtechs poderiam se beneficiar disso. Suas modernas infraestruturas técnicas e soluções digitais proporcionam uma vantagem sobre as seguradoras tradicionais. 

As grandes empresas tradicionais não irão à falência da noite para o dia e levará tempo para as insurtechs ganharem uma participação de mercado significativa. Mas a crise atual atrasará as pequenas e médias empresas ainda mais do que antes. Ele acredita que a crise atual tem um impacto nos novos negócios. Os clientes estão reconsiderando se devem ou não marcar compromissos pessoais com um corretor.

Eles estão mudando para seguradoras digitais e descobrindo os benefícios. Muitos deles não voltarão depois que a crise terminar. Esse é o maior perigo para as seguradoras - e a maior oportunidade também.

Como o setor de seguros trabalha com um modelo de negócios de longo prazo, provavelmente será menos afetado pela crise que outros setores financeiros, com os negócios definidos para manter sua atuação à maioria dos clientes existentes.

Já as startups enfrentam uma dificuldade particular, pois não conseguem usar os canais de financiamento convencionais porque seus modelos de negócios são considerados arriscados. 

Quase todas as empresas iniciantes sofrem perdas nos primeiros anos, e é por isso que os capitalistas de risco fornecem capital inicial. Mas atualmente eles hesitam em investir, o que colocará muitas startups em uma posição difícil.

Insurtechs vêm sofrendo em meio à pandemia

Uma das insurtechs mais emblemáticas no mundo é a Lemonade. A startup de seguros destina todo o dinheiro das apólices não retiradas pelos segurados a instituições de caridade como a RobinHood Foundation e a Women in Need

Ao contratar uma cobertura, o usuário escolhe quem gostaria de ajudar, entrando para um grupo de pessoas que têm esse mesmo desejo.

Fundada em 2015 em Nova York, seu foco é em inquilinos e proprietários de imóveis. Além de cobrar menos que as seguradoras clássicas, outro objetivo é acabar com a burocracia e acelerar o processo de obtenção do seguro. 

Todo o processo de contratação do seguro pode ser realizado pelo aplicativo em apenas 90 segundos. A Lemonade é construída sobre Inteligência Artificial (IA) e economia comportamental. A IA minimiza a papelada e a burocracia. Já a economia comportamental evita fraudes e conflitos, o que resulta em redução de tempo desde a contratação, aborrecimento e custos.

Apoiada pelo SoftBank, a insurtech abriu capital, no último dia 2 de julho, na Bolsa De Valores de Nova Iorque (Nyse, sigla em inglês) e levantou US$ 319 milhões (R$ 1,595 bilhão). Além disso, a startup foi avaliada em US$ 1,6 bilhão, enquanto o preço das ações ficou em US$ 29 (cerca de R$ 155,19).

A Lemonade é uma das inúmeras insurtechs que esperam revolucionar as políticas de seguros usando inteligência artificial e big data para analisar melhor os riscos. Mas, como muitas outras empresas apoiadas pelo Softbank que vão para os mercados públicos, não está ganhando dinheiro.

A Lemonade já recebeu cerca de US$ 480 milhões em investimentos de instituições como o SoftBank, Allianz, Sequoia Capital e Aleph. Assim, a multinacional japonesa possui 21,8% da insurtech.

Em abril de 2019, a Lemonade registrou uma perda líquida de US$ 108,5 milhões em 2019, mais do que o dobro de suas perdas em 2018. Ao mesmo tempo, a receita aumentou três vezes no mesmo período, de US$ 21,2 milhões para US$ 63,8 milhões. Já entre janeiro e março deste ano, perdeu US$ 36,5 milhões.

A maioria dos clientes da Lemonade tem menos de 35 anos. Seu modelo de negócios se baseia na venda desses produtos de seguros subsequentes - como casa e automóvel.

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