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Hackaton: saiba como é feito e sua importância para a transformação digital e inovação

Um hackaton, segundo a Wikipedia, é uma “maratona de programação na qual hackers se reúnem por horas, dias ou até semanas, a fim de explorar dados abertos, desvendar códigos e sistemas lógicos, discutir novas ideias e desenvolver projetos de software ou mesmo de hardware”.

Mas, para que tudo dê certo em um evento como este, é preciso muito trabalho e planejamento. Você sempre teve curiosidade de saber mais sobre a organização de um hackaton como o realizado pela GR1D Insurance no Recife

Abraão Sena, fundador da Shawee, é a pessoa perfeita para explicar. Essa empresa é referência no Brasil quando o assunto são hackatons, inclusive tendo sido responsável pelo primeiro Hacka GR1D

Foi difícil conseguir um espaço na sua atribulada agenda para conversar com o Trends. ‘Abra’, como é mais conhecido, atualmente lidera a organização da próxima edição do Hacka GR1D, que será realizada entre os dias 14 e 15 de setembro no Rio de Janeiro. 

Confira, abaixo, a entrevista que realizamos com ele!

Trends: Qual é a importância hoje de um hackaton?

Abraão Sena: Hoje o hackaton tem um objetivo bem amplo. Falamos que é um grande ambiente de cocriação que se torna uma célula de inovação capaz de potencializar novos direcionamentos, sendo uma ferramenta de transformação. 

T: Qual o maior desafio de realizar um hackaton hoje?

AS: O maior desafio é, muitas vezes, trabalhar com empresas que de fato entendem o real propósito de um hackaton. Temos uma grande preocupação em não fazer eventos com organizações que pensem mais no produto do que na experiência como um todo. É preciso potencializar uma atmosfera de aprendizado, com networking e troca de conhecimentos. 

T: Como é a mecânica de organização de um hackaton?

AS: A gente costuma brincar que um hackaton tem a mesma dinâmica e cumplicidade de um casamento. Fazer a gestão da produção é algo bem complexo e que nasce ao longo dos meses. Costumamos adotar no mínimo 60 dias como um período saudável de planejamento e organização. 

É uma mecânica bem ‘puxada’ e temos vários grupos envolvidos para ajudar em cada estágio. Uma equipe se encarrega dos contatos com mentores, participantes e jurados. Outras pessoas cuidam das partes de brindes, alimentação, traslado de materiais e visitas técnicas. Há também um time responsável por toda a parte de Marketing, branding, desdobramentos e manuais com os direcionamentos para os participantes.

T: E o hackaton em si. Ele tem fases?

AS: Sim. E elas são realizadas de maneira bem prática com a ajuda das mentorias, que lapidam todas as ideias permitindo que os times sigam pelo caminho certo. E tudo isso é feito de uma maneira bem prática. 

Criamos uma escala onde os primeiros horários são direcionados à validação do problema que os participantes podem identificar e querem resolver - chamamos de processo de ideação. Nesse formato, das 13h até as 17h do primeiro dia são dedicados para entender se a equipe está indo para o caminho certo. 

Das 17h em diante já é possível identificar que alguns times já têm um certo direcionamento, podendo partir para as definições das tecnologias que serão utilizadas. É hora de começar a pensar no direcionamento da solução a ser criada. 

Aí, a partir disso, se inicia o desenvolvimento de fato para depois entrar na estrutura do pitch (apresentação), que vai de domingo de manhã até a hora de exposição do projeto.

Os participantes preparam o pitch, que será apresentado para uma banca multidisciplinar que tende a ter todas as skills direcionadas: negócios e tecnologia, entre outras que possam agregar no processo de avaliação. São 3 minutos para apresentar as soluções que a banca avalia conforme critérios predefinidos pela empresa organizadora. 

T: Quais são os principais ganhos em participar de um hackaton?

AS: O maior ganho, sem dúvida, é que o participante sai com um networking sem igual. Isso sem dizer de passar 36 horas trabalhando em um ambiente de cocriação com pessoas muitas vezes desconhecidas. 

O maior resultado, o ápice do hackaton, não é o entregável. Ele é só um ponto, faz parte, mas não vejo que a solução e a tecnologia são os principais, mas sim as conexões que são criadas.  

T: O que você poderia antecipar sobre o Hacka GR1D que será realizado no Rio de Janeiro em setembro?

AS: O hackaton terá como objetivo fomentar a inovação aberta. E como a GR1D Insurance já tem um posicionamento disruptivo vamos fomentar nos participantes insights na criação de soluções para uma vertical ainda tão conservadora como a de Seguros.

Outra questão de extrema importância em um hackaton é o posicionamento da empresa de estimular o empreendedorismo para os participantes, trazendo a oportunidade de seguirem com as ideias e fazê-las virar um negócio! 

Gostou da entrevista e quer conhecer melhor sobre o Hacka GR1D que vai acontecer no Rio de Janeiro? Então leia este post!