Insurtechs

Inovações disruptivas: conheça as Insurtechs

Inovações disruptivas como as conseguidas a partir da utilização de ferramentas de transformação digital não cansam de surpreender o mercado corporativo. Seja no Brasil ou em qualquer outro país do mundo as empresas estão, cada vez mais, em busca de inovação para se diferenciar da concorrência, surpreender o cliente e assim ganhar fatias maiores de mercado.

Esse movimento atrás de novos caminhos pode ser comprovado em uma pesquisa realizada pelo Gartner. Cada vez mais os CIOs buscam ajustar o projeto de crescimento da empresa considerando novas possibilidades, tendências e soluções tecnológicas.

Tanto é verdade que as iniciativas de transformação digital estão no topo da lista de prioridades dos CIOs esse ano. De acordo com os dados do Gartner, 33% das empresas estão nas etapas de escala ou refino da maturidade digital. Em 2018, apenas 17% delas estavam nesse nível.

O fato é que os negócios com estruturas tradicionais precisam se reinventar. O grande motivo é o nascimento das startups, que chegaram ao mercado quebrando paradigmas, propondo novos modelos negócios e revolucionando os mercados em que estão inseridas.

E depois das fintechs, empresas focadas em soluções disruptivas para o mercado financeiro e que estão tirando o sono das instituições clássicas, a próxima onda que promete ‘bombar’ no mercado são as insurtechs.

Saiba mais sobre o potencial das insurtechs em oferecer inovações disruptivas e conheça a história surpreendente do caso Lemonade ao ler este texto.


O que são as insurtechs?

O setor de seguros permaneceu praticamente o mesmo por décadas. Formado por empresas centenárias (a Mongeral Aegon é a companhia mais antiga a atuar no Brasil, presente no País há mais de 180 anos), sua cultura avessa a riscos era muito resistente a mudanças.

E antes do advento das novas tecnologias, não era um mercado competitivo onde novos players conseguissem entrar facilmente. Mas com a transformação digital este cenário está se alterando.

A mais importante mudança é o nascimento das insurtechs. Esse neologismo é a junção das palavras insurance (seguro em inglês) e technology (tecnologia em inglês). Deu para perceber a semelhança com fintech?

O termo combina a sinergia entre esses dois campos: seguros e tecnologias digitais. Como os bancos, as seguradoras estavam entre as indústrias mais lentas a se adaptarem à digitalização e aproveitarem as oportunidades oferecidas por esse processo de mudança.

As insurtechs impulsionam todas as inovações disruptivas relacionadas ao ecossistema de seguros como um todo:


  • As startups fundadas para prestar esse tipo de serviço;
  • Sistemas necessários para o funcionamento da empresa;
  • Aplicativos que ao serem instalados oferece soluções disruptivas;
  • Os produtos e serviços criados.

Os impactos das insurtechs no setor de seguros

As insurtechs já estão tendo um impacto sobre as companhias seculares do setor. E o objetivo dessas novas empresas não é 'matar' o seguro tradicional, mas sim revitalizar uma indústria bem estabelecida para torná-la mais sustentável e ágil.

Na sua essência, essas startups têm como objetivo oferecer melhores políticas de seguro, mais flexíveis e personalizadas. Tudo a partir da coleta, análise e interpretação de dados. Seja em sensores conectados ao carro, casa ou até à própria pessoa, as seguradoras usam essas informações para fornecer ofertas mais precisas e personalizadas.

E o resultado?

As insurtechs já estão forçando a indústria de seguros a se reinventar - assim como as fintechs fizeram com os bancos tradicionais. Isso significa melhorar drasticamente o atendimento ao cliente e também as ofertas.

Quer saber como funciona uma startup da área de insurtech na prática? Conheça o caso Lemonade.


Caso Lemonade: inovação disruptiva em todos os processos

‘Limonada’ não é um nome usual para uma seguradora, sendo bem improvável uma companhia tradicional do setor tê-lo. Mas calma, há uma razão. Aliás, as inovações disruptivas dessa startup já começam por aí.

Há uma tradição antiga nos Estados Unidos de crianças e adolescentes venderem limonada no Verão para juntar dinheiro, seja para benefício próprio ou causa social. Você com certeza já deve ter visto isso em filmes e séries.

A Lemonade destina todo o dinheiro das apólices não retiradas pelos segurados à instituições de caridade como a RobinHood Foundation e a Women in Need. Ao contratar uma cobertura o usuário elege quem gostaria de ajudar, entrando para um grupo de pessoas que têm esse mesmo desejo.

O objetivo: finalmente posicionar o setor de seguros como conveniente e benéfico.

Um modelo de negócios disruptivo, não é mesmo?

Perfeito para os millenials, principal público-alvo da empresa. Inclusive segundo uma pesquisa da FutureCast revelou que terço das pessoas dessa geração estão dispostas a gastar ainda mais com uma marca que apoia uma causa na qual acreditam.

Fundada em 2015 em Nova York, tem foco em inquilinos e proprietários de imóveis. Além de praticar valores menores que as seguradoras clássicas, outra diferença é acabar com a burocracia e acelerar o processo de obtenção do seguro. Todo o processo de contratação do seguro pode ser realizado pelo aplicativo em apenas 90 segundos.

Fazer uma reclamação também é simples. Em vez de preencher formulários, os clientes simplesmente gravam um depoimento em vídeo no celular por meio do aplicativo.

A empresa também foi a primeira seguradora a processar uma reivindicação do começo ao fim sem interação humana ou preenchimento de formulários. Um robô analisa o vídeo enviado usando uma série de algoritmos, fazendo a revisão e verificação antes de efetuar o pagamento.

Segundo o CEO Daniel Schreiber, em entrevista para a Forbes, a Lemonade é construída sobre Inteligência Artificial (IA) e economia comportamental. A IA minimiza a papelada e a burocracia. Já a economia comportamental evita fraudes e conflitos, resultando em redução de tempo desde a contratação, aborrecimento e custos.

"Hoje 87% dos nossos clientes são compradores de seguros pela primeira vez, o que significa que a Lemonade atrai um mercado desfavorecido. Além disso, o fato de ser socialmente impactante e apoiar causas em que você acredita torna a política ainda mais atraente", explica.

E essa maneira disruptiva de fazer negócios está dando certo. A empresa recebeu em 2017 um investimento de R$ 120 milhões numa rodada liderada pela gigante de telecomunicação japonesa SoftBank.

O poder de disrupção das insurtechs já está revolucionando a maneira como se desenvolve, vende e consome seguros. Veja o caso de sucesso da Lemonade, por exemplo, como fato de agregar a possibilidade de ajudar uma causa social, além de inovar em novas tecnologias, os diferencia de seus concorrentes. Qual a lição que essa empresa deixa para você?