Transformação DigitalInnovation

Modelos de Inovação

Quando comparamos os modelos tradicionais de empresas com as novas plataformas que estão conquistando o mercado e os consumidores, encontramos uma diferença impressionante de números. Enquanto a famosa rede de hotéis Hilton possui valor de mercado de US$ 20 bilhões, o Airbnb, plataforma de aluguel de imóveis, é avaliado em US$ 31 bilhões. Vale lembrar que este último ainda não fez seu IPO e, quando o fizer, poderá passar a valer o triplo da tradicional Hilton. Em outro exemplo, o grupo de supermercados Walmart – também baseado em um modelo tradicional – está avaliado em US$ 271 bilhões. Já sua principal concorrente, a Amazon, uma plataforma digital de varejo, está valendo US$ 770 bilhões.

As plataformas digitais estão liderando o ranking das companhias globais com maior valor de mercado – entre elas, a própria Amazon, a Apple, o Google e o Facebook. Esse se baseia em modelos de negócios que realizam conexões entre fornecedores e consumidores, tornando a empresa uma facilitadora de serviços. O iFood, por exemplo, conecta restaurantes, motoboys e clientes. Já o Uber une motoristas com carros disponíveis a passageiros. O principal produto oferecido por essas plataformas, portanto, não é um produto, mas um serviço.

As plataformas não possuem bens – o Uber não é dono dos carros, por exemplo –, são altamente escaláveis por esse mesmo motivo, e entram no chamado network effect. Ou seja, quanto maior o número de participantes, maior o valor para o produto ou serviço.

Ao redor dessas plataformas, são formados ecossistemas nos quais diferentes participantes interagem entre si. Para entender melhor esse conceito, pense nos passageiros do Uber como parte do ecossistema mais amplo: o de pessoas que utilizam aplicativos de corridas, uma vez que podem trocar de empresas conforme a necessidade. Aqui, as plataformas também se relacionam, compartilhando dados úteis para todas as partes.

Ao contrário do modelo da Revolução Industrial que predominava até alguns anos atrás, no qual a empresa fabrica um produto atrativo o suficiente para o consumidor compra-lo, a lógica das plataformas é outra. Agora, é preciso entender quais são as dores e necessidades dos usuários. Dessa forma, o cliente se torna o principal fator de decisão na criação de um produto ou serviço, e a marca terá a responsabilidade de oferecer a melhor experiência possível.

Em um mundo que muda cada vez mais rápido, as empresas que queiram continuar relevantes terão de abandonar burocracias excessivas e processos e nada ágeis, renovando seu modelo para os baseados em plataformas. A tecnologia deve ser usada a seu favor, e o time tem de abraçar a inovação.

Sua empresa valoriza os funcionários que pensam fora da caixa? Se a reposta for sim, você está no lugar errado. A organização, com sua estrutura engessada, é a própria caixa e o colaborador precisa pensar além dela para conseguir realizar contribuições inovadoras. Minha sugestão é: quebre a caixa. Elimine-a.

A transformação digital tem como objetivo garantir que toda a empresa esteja voltada para a inovação. O primeiro passo do processo é, como o próprio nome indica, digitalizar os produtos e serviços de rotina. Com isso, todos os colaboradores passam a entender quais são as dores do digital, para superá-las continuamente. É preciso errar, e errar muito. Dar espaço e valorizar os erros. Através das falhas toda a equipe adquire o conhecimento necessário para acompanhar as mudanças do mercado e entrar na próxima fase dos negócios, quando estarão baseados em plataforma. As empresas que estão começando a digitalização agora já estão correndo atrás do prejuízo.

Para fazer essa transição, é fundamental capacitar o time. Todos deverão conhecer e saber utilizar metodologias que fomentem a inovação. Não dá mais para manter essa área separada das demais, sem diálogos constantes. A nova ordem é o compartilhamento de conhecimento. Os times mais produtivos tendem a ser os multidisciplinares: formados por pessoas com diversas especialidades que variam desde design, até direito, programação e negócios.

Para avançar neste novo mundo, não há espaço para a empresa agir com arrogância. É preciso admitir que não se tem todas as respostas e ouvir o cliente. Quais são suas dores e como solucioná-las, tornando a marca indispensável no seu cotidiano? As fintechs, por exemplo, entenderam isso muito bem. Oferecem serviços que realmente fazem sentido para seus usuários, sem cobrar tarifas altíssimas ou empurrar produtos bancários que interessam apenas à própria instituição, como fazem os bancos tradicionais.

Com essa combinação, é possível economizar tempo e gente em processos cotidianos. Assim, as pessoas que integram o time terão uma nova função: gerar ideias e conhecimento, agregando valor ao produto e à marca. A transformação digital nunca é a mesma para todas as organizações, afinal as empresas são diferentes entre si. Mas se quiserem participar desse mundo orgânico de constante evolução e abraçar o modelo de negócio das plataformas, é preciso começar a mudança pela cultura corporativa. 


*Guga Stocco, CEO do GR1D