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O papel das Health Techs no combate à pandemia de Covid-19

A pandemia de Covid-19 colocou sistemas de saúde em todo mundo à prova. A rápida transmissão do vírus, em conjunto com a falta de informações sobre tratamentos efetivos, deixou evidente as inúmeras inadequações e falta de recursos básicos para combater esta e muitas outras crises de saúde.

Entretanto, as health techs, que há muito colaboram com o desenvolvimento do setor utilizando as soluções trazidas com a transformação digital, agora se tornaram grandes aliadas no combate ao novo coronavírus.

É fato de que o governo não tinha uma infraestrutura preparada para receber vítimas de uma pandemia, pois já era notável a degradação do sistema de saúde nacional antes mesmo do advento da Covid-19. 

Diante de um cenário tão caótico, é fundamental que essas instituições e outras empresas busquem apoio de organizações inovadoras, como as startups de tecnologia da saúde, para atender tamanha demanda. Não se trata somente de leitos e respiradores, existe uma infinidade de insumos, que vão desde EPIs até medicamentos controlados, para garantir o tratamento adequado e resguardar a vida dos profissionais que se arriscam diariamente na linha de frente. 

Para que você entenda como este apoio acontece e quais os gargalos são aliviados com a ajuda das health techs, vamos abordar informações coletadas por um levantamento desenvolvido pela Pitchbook. Ele explica como essas organizações são suportes fundamentais para os sistemas de saúde na redução dos riscos da pandemia, no impulsionamento dos investimentos no setor e na adoção de novas tecnologias.

Boa leitura!

Os efeitos da pandemia na saúde e na percepção dos governantes e cidadãos sobre este sistema

A pandemia de Covid-19, além de causar uma paralisação abrupta na economia global, expôs explicitamente todas as imperfeições dos sistemas de saúde quando se trata da abordagem de pandemias com rápida disseminação. No começo do surto, governos e profissionais de todo o planeta erraram por não tomarem atitudes preventivas e não desenvolverem escopos realistas para preparar adequadamente seus sistemas e capacitá-los para absorver a tremenda crise que se aproximava.

Com o efeito bola de neve, a transmissão do vírus cresceu muito mais do que era erroneamente pressuposto no início. Assim, logo ficou claro que o volume de testes para atender demandas em países de todos os continentes estava longe de ser alcançado e que os procedimentos necessários para rastrear com exatidão a propagação não foram colocados em vigor. 

Além disso, na linha de frente, todos os profissionais envolvidos sofreram e ainda enfrentam a escassez de pessoal, EPIs, respiradores e outros dispositivos indispensáveis nos tratamentos de casos leves e graves.

Enquanto os sistemas de saúde se desdobram para evitar o colapso nos hospitais, grande parte dos cidadãos notam que são incapazes de serem atendidos, tanto para consultas médicas quanto para cuidados rotineiros. Tudo isso, impulsionado pelo medo de sobrecarregar os hospitais, ocupar vagas que poderiam ser usadas para os infectados, se infectar, acelerar ainda mais a velocidade do contágio e, obviamente, por falta de vagas num sistema completamente congestionado com vítimas da pandemia.

Enquanto isso, muitos cidadãos se descobriram incapazes de consultar médicos ou receber cuidados médicos normais por medo de  sobrecarregar o sistema de saúde ou potencialmente exacerbar a pandemia.

Por que a pandemia será capaz de revolucionar o mercado de saúde?

Diante da tamanha complexidade do problema, os governos buscam por alternativas para suprimir o avanço, atender os necessitados, tratar os infectados e se perguntam como se estruturar para encarar uma futura crise do mesmo tipo e dimensão. Assim, o interesse em tecnologias e iniciativas inovadoras, impulsionadas pela transformação digital ressurgiu e se intensificou.

Para que novas soluções surjam e sejam efetivadas é preciso de apoio e investimento. Por isso, é esperado que os governos e instituições interessados invistam a longo prazo em infraestrutura e novas tecnologias de prevenção, preparação e respostas para anteceder e identificar essas crises, além de se estruturarem com maior robustez e eficiência nas partes que abrangem os testes e tratamentos.

Apesar do grande estímulo das instituições e de toda a ajuda humanitária que dão espaço para o desenvolvimento da tecnologia para saúde em curto prazo, existe uma necessidade de construir sistemas capacitados para novos surtos que impulsiona o financiamento a longo prazo. E isso, provavelmente, será maior se comparado aos investimentos anteriores à pandemia do novo coronavírus.

De acordo com o estudo realizado pela Pitchbook abordando a relevância das health techs antes e após a crise da Covid-19, existe um financiamento público robusto nos EUA e Europa. E os valores oderão ser direcionados à startups de tecnologia da saúde que abordam soluções e dão suporte ao combate da pandemia

Só nos EUA este investimento chega a quase US$280 bilhões de dólares, divididos entre estados e municípios, direcionados à hospitais, na linha de defesa, desenvolvimento de soluções, fabricação de recursos, ajuda suplementar às famílias, assistência humanitária  para países em necessidade, entre outros. Todos esses investimentos, fazem parte do CARES (Coronavírus Aid, Relief, and Economic Security), projeto do governo americano para cuidado, alívio e segurança econômica do país durante a pandemia.

Na Europa, os investimentos para fins muito semelhantes chegaram a mais de £$330 bilhões e aproximadamente €$465 bilhões para os países pertencentes à União Europeia. 

Como as health techs influenciam as ações de preparação e resposta à pandemia de Covid-19

O ecossistema pandêmico de preparação e resposta deixou visível a necessidade de recursos tecnológicos variados para prever, identificar, rastrear, controlar e combater surtos. Essa carência motiva as health techs a desenvolverem soluções para corrigir deficiências nesses pontos e otimizá-los.

É evidente que todo esse desenvolvimento aconteça com esforços combinados de sistemas governamentais, ONGs relacionados à soluções de saúde e investimento em startups. Essas que podem se beneficiar muito com este incentivo ao estruturamento dos sistemas atuais durante e após a pandemia.

O estudo da Pitchbook também aponta os 5 segmentos promissores durante e após o surto de Covid-19. Observe a seguir. 

1- Rastreamento de doenças e análise de dados de serviços da saúde pública

Foi experienciado e constatado que sistemas de alerta precoce de possíveis surtos são soluções cruciais para controlar e combater pandemias, assim como reduzir o máximo de vítimas da doença.

Este tipo de tecnologia capta e fornece dados críticos sobre o tipo de infecção e transmissão para que os governos e sistemas de saúde possam se preparar rapidamente para terem o “poder” (implementação de planos de continuidade ao negócio, para garantia da segurança e saúde pública, recursos para desenvolvimento e efetivação de tratamentos e testes) necessário na hora de reagir e garantir a saúde de seus cidadãos e atenuar os danos à economia. 

Os dados tratados por esses sistemas de rastreamento entregam insumos essenciais para analisar a pandemia como um todo, riscos, ameaças, baixas e taxas de recuperação organizados e classificados de acordo com as diferentes fases da pandemia. Essas informações são obtidas dentro de todas as regras e preocupações com a privacidade de cada indivíduo. As características deste tipo de solução.

2- Tecnologias para testes e detecção de doenças

Umas das maiores dificuldades detectadas durante a pandemia de Covid-19 é testar os suspeitos e identificar os infectados. Por isso, está claro agora que, daqui em diante, desenvolver diversas alternativas de testes é crucial para conter surtos em seu estágio inicial, monitorar o avanço do contágio e como ele está ocorrendo nas diferentes populações intra e internacionalmente, além de ter dados suficientes para estabelecer a magnitude dos tratamentos conforme a doença se espalha.

Outro fator relevante e que pode ser feito com essas tecnologias é assegurar que os provedores desses testes sejam capazes de se atualizarem rapidamente com as novas informações da doença. Tudo para garantir que o procedimento aconteça com segurança, atenda grandes segmentos da população e os dados relacionados sejam processados rapidamente para atualizar os sistemas de saúde e mantê-los cientes o mais próximo possível da realidade no momento em que estratégias e análises estejam em desenvolvimento. 

3- Telemedicina

Está muito evidente e comprovada a possibilidade de atender e tratar certos pacientes remotamente. Isso colabora diretamente nos níveis de atendimentos, protege a linha de frente, aliviando gargalos e reduzindo a sua exposição, além de minimizar o contágio nos sistemas de saúde.

Durante este e qualquer outro surto global ou regional de uma doença, operar usando tecnologias da telemedicina é fundamental quando os cuidados precisam ser tomados rápido e seguramente, principalmente quando a infecção ainda não é bem compreendida. 

Por isso, utilizar das soluções tecnológicas disponíveis é uma forma de educar a população sobre os cuidados necessários durante o período crítico, fornecer triagem e consultas consideradas simples muito rapidamente. Além do atendimento remoto, a telemedicina conta com robôs que são utilizados para administrar medicamentos e realizar o saneamento dos ambientes sem propagar doenças, protegendo os profissionais que anteriormente realizavam essas funções.

4- Biofarma

Quando uma nova ameaça à saúde surge, a indústria de biofarma é a principal interessada e envolvida no desenvolvimento de terapias para proteger e se possível garantir a saúde dos doentes, vacinas e formas de diagnóstico para atenuar e/ou mitigar a disseminação do Covid-19 e outros possíveis surtos no futuro. Para que o trabalho das health techs do segmento da biofarma seja assertivo e surta efeitos rapidamente, é fundamental que essas organizações tenham total acesso, já no início do surto, aos dados  sobre a infecção para iniciar o quanto antes os testes de novas alternativas de tratamento.

5- Suprimentos médicos

Conforme um surto de saúde como a pandemia do novo coronavírus evolui, consequentemente os hospitais sofrem um sério congestionamento devido ao grande número de pessoas infectadas, dos procedimentos que devem ser tomados para controlar a transmissão nesses ambientes e tratar os doentes. 

É necessário uma infinidade de suprimentos médicos com uma extensa lista de variedades para garantir a assistência básica e proteger todos os profissionais envolvidos no tratamento. Entre eles estão os EPIs,  dispositivos de diagnóstico, terapêuticos (como os respiradores) e tudo que é necessário nas instalações de tratamento de emergência.

Para que toda a cadeia de suprimentos médicos sejam ampliadas em locais onde a demanda é maior, é fundamental que empresas deste segmento trabalhem diretamente com as responsáveis por serviços e soluções para rastreamento de doenças e análise de dados de serviços da saúde pública. 

Esta cooperação entre as empresas desses dois segmentos de health techs é fundamental na hora de rastrear os pontos críticos do surto, estruturar as linhas de produção para a fabricação de todos os itens e também definir os locais de armazenamento para uso presente e futuro desses suprimentos.

Esses cinco segmentos, impulsionados pelas soluções advindas da transformação digital, além de serem extremamente importantes durante a pandemia de Covid-19, são promissores na construção de infraestruturas de saúde mais robustas e melhores estruturadas para os atendimentos eventuais e extraordinários, como o de pacientes do novo coronavírus.

E então, gostou de entender a importância das startups de tecnologia da saúde para o controle e tratamento de pandemias e melhoria nos atuais métodos e processos utilizados nos sistemas de saúde? Se quiser aprender mais tecnologia e saúde, continue no blog!