Open InsuranceInovação

O potencial do Open Insurance para mudar o mundo dos seguros

Seguindo o movimento de transformação digital, as seguradoras vêm buscando maneiras de simplificar os processos para otimizar a operação, facilitar a negociação e aumentar os ganhos. 

É nesse contexto que surge o Open Insurance. Trata-se de um movimento de oferta de serviços e dados a parceiros, comunidades e startups com o objetivo de contribuir para a inovação em aplicações, serviços e modelos de negócio.

Na estrutura do Open Insurance, os produtos, serviços, informações e funcionalidades de uma seguradora ficam disponíveis para consumo por qualquer outra empresa que faça parte do ecossistema. Essa interação acontece em uma plataforma segura, de um jeito simples e com acesso fácil para todos os envolvidos. 

 O tema é tão importante que já se tornou um hype. Inclusive Renato Terzi, CEO da GR1D, foi convidado a falar sobre ele em um evento da Revista Apólice dedicado ao assunto. 

Confira, neste post, algumas das ideias mostradas pelo executivo durante a apresentação.

Os 5 pilares do modelo de Open Insurance

1- O consumidor é o proprietário dos seus dados;

2- Dados, produtos, serviços, transações são disponibilizadas em tecnologia comum - API (Application Programming Interfaces);

3- Exposição de APIs de forma organizada facilita o acesso;

4- Gestão de Concessões;

5- Padronização de Dados.

No Open Insurance, a integração de serviços é palavra-chave. Por isso, para tornar essa entrega conjunta viável, o uso das APIs como protocolo padrão de integração é essencial. Afinal, são elas que permitem que todas as seguradoras envolvidas “falem a mesma língua”.

Na prática, é somente a partir da combinação de arquiteturas de APIs abertas, inseridas em aplicativos de seguros, que o tipo de parceria do Open Insurance se torna possível. 

É o acesso às APIs abertas que permite o compartilhamento de dados entre diferentes seguradoras, startups, bancos, insurtechs e outras organizações. Em suma, o Open Insurance só é possível por conta do uso inteligente das APIs.

Entenda a relação com o Open Banking

Com os dados das contas correntes, os bancos sabem o que seus clientes comem, onde compram suas roupas e o que fazem on-line. No mundo de hoje e no futuro, os dados (pessoais) se tornam cada vez mais disponíveis e facilmente compartilhados devido à digitalização das interações diárias. 

Novas tecnologias de conectividade (por exemplo, APIs) permitem que consumidores e empresas compartilhem cada vez mais dados com diferentes partes que, novamente, geram receita. Essa interação frequente e relevante das empresas com seus clientes forma a base de novos modelos de negócios em novos ecossistemas.

Para responder a essa tendência, os bancos estão se abrindo e criam novas oportunidades para outras partes. Esses novos ecossistemas transacionais se concentram na coleta de dados e oferecimento de novos produtos e serviços para essas transações. O pagamento (funcionalidade), como tal, se torna menos relevante. 

O movimento em direção à transformação digital trazida pelo Open Banking realizado pelo Banco Central do Brasil (BCB) gerará uma pressão natural do mercado para adoção de modelo similar no ambiente de Seguros, Previdência e Capitalização. 

O fato de muitos produtos de seguros serem já tratados na mesma plataforma (em geral Internet Bankings) ou em plataformas muito semelhantes às bancárias, gerará ainda mais animosidades do consumidor para o tema. 

As companhias de seguros podem capturar o novo valor quando se tornam atores-chave neste novo ecossistema. É uma ótima oportunidade para remodelar as interações atuais e ocasionais dos clientes para um relacionamento mais interativo e, portanto, mais relevante.

Como seguradora, para capitalizar o movimento Open Banking e evitar a ameaça de interrupção, abraçar o movimento será a chave para o sucesso. Parcerias estratégicas e investimentos financeiros precisam apelar para ambas as partes.

Como alternativa, formar uma equipe internamente para criar uma ferramenta interativa independente para clientes com uma interface de usuário competitiva é a maneira perfeita para uma empresa seguir seu próprio caminho. Principalmente, em um momento em que a interação com o cliente é de valor cada vez maior.

Como o Open Insurance vai mudar o mundo dos seguros

À medida que os clientes exigem mais controle sobre seus dados e informações, o Open Banking pode abrir caminho para mudanças nas regulamentações de seguros. Se é possível uma pessoa compartilhar seu histórico de transações financeiras, por que conseguir compartilhar dados de comportamento do motorista coletados pelo carro com outras seguradoras?

E não é difícil fazer uma comparação entre o modelo atual e o que é possível ser feito com o Open Insurance. 

Citamos, abaixo, um exemplo simples comparando como é a precificação de um seguro auto hoje e como ela poderia ser. Acompanhe: 

Modelo atual

  • O corretor tem acesso a um conjunto limitado de produtos, em geral estabelecido pelos serviços de cotação e treinamento oferecidos pelas seguradoras; 
  • Quando o corretor precisa de dados do perfil do consumidor, ele os solicita, recebendo as informações por meio de uma declaração;
  • O corretor então insere os dados nos sistemas das seguradoras, que buscam complementação da informação na Central de Bônus (mas apenas para essa categoria);
  • Com base neste conjunto de informações as seguradoras realizam a precificação;
  • O consumidor compara propostas e decide.

Em resumo, todas as seguradoras cotam sem mais informações, além do perfil e da classe de bônus. Todo o sistema está submetido ao mesmo risco de cotação sem dados. 

Modelo Open Insurance

  • O canal de distribuição (que é potencialmente o corretor) oferece todos os produtos disponíveis no mercado ao consumidor;
  • O corretor solicita ao consumidor autorização para acessar os dados dessa pessoa ou empresa;
  • As seguradoras têm o mesmo acesso aos dados de sinistralidade de todas as apólices já detidas pelo consumidor, com detalhes de cada evento, inclusive dados de pagamento e sinistro, entre outros;
  • As seguradoras calculam risco com base nestes dados; 
  • O consumidor compara propostas e decide.

Dá para perceber claramente a diferença! Todas as cotações serão feitas a partir de dados detalhados – inclusive de tipo e valor de sinistros, de diversos anos de cobertura. 

Com isso se reduz exposições a riscos desconhecidos, aumentando a segurança sistêmica e a competitividade. Preço final, qualidade e serviços prestados serão diferenciais para a contratação. 

O Open Insurance pode fazer muito pelo ecossistema de seguros, como foi possível ver. Quer saber mais sobre o tema? Então continue lendo o Trends!