Inovação

Oportunidades para o segmento de seguros de Automóvel e outros bens

Quando falamos de Seguro de Veículos vemos uma trajetória não muito linear nos resultados da última década. Houve um crescimento real entre 2011 e 2018, mas a partir de 2014 o cenário se tornou um pouco mais desfavorável.

Este efeito reflete o envelhecimento da frota brasileira, com redução do valor dos veículos segurados e a consequente redução dos prêmios.



Os cenários de crise são propícios para o florescimento de indústrias alternativas. No caso do Seguro Automóvel, cooperativas de seguros, rastreadores com seguros e alternativas que têm limitado suporte legal e frágil capacidade de cumprimento de contratos cresceram e se estabeleceram com vigor, retirando parte dos segurados da indústria.

Além disso, há um forte questionamento sobre o modelo de mobilidade. Transportadores individuais usando veículos locados, bicicletas, patinetes e carros por assinatura ou alugados por minuto, além de novidades ainda aguardadas, como o carro autônomo, fazem com que um carro não seja mais o sonho das novas gerações.

As pessoas continuarão a se deslocar, mas os modelos mudarão. E aí residem inúmeras oportunidades para as seguradoras, visto que bicicletas e patinetes terão de ser seguradas e os pedestres que passam a dividir espaço também. Os segurados não serão donos dos itens, mas precisarão de coberturas que serão acionadas apenas quando estiverem usando um veículo locado ou emprestado. Entregar uma solução mais simples, mais rápida e mais customizada será crítico para corresponder à demanda deste novo consumidor. Será necessário ir aonde ele estiver. A tecnologia móvel tem muito a ajudar tanto na viabilização das escolhas que o segurado fizer como no gerenciamento do risco a que ele, efetivamente, estiver exposto.

Outros RE

No segmento que concentra os demais seguros de bens, excluindo-se o Seguro Auto, há uma variação grande de desempenho. O Seguro Rural desponta, já que a atividade agrícola, essencialmente exportadora, teve o impacto da crise interna muito atenuada. De fato, a conjuntura no Brasil só não foi pior porque o agronegócio sustentou bons resultados nos piores anos.

O Seguro Habitacional, impulsionado pelo programa Minha Casa Minha Vida e o Seguro de Crédito, que cresce conforme o endividamento das famílias cresce e a capacidade de compra à vista se reduz, também conquistaram terreno acima da inflação neste período.

As duas maiores linhas do segmento, entretanto, puxaram a média para baixo, pois o Patrimonial andou de lado (cresceu 12% em termos reais, nos sete anos) e o DPVAT, totalmente ligado à venda de carros e à idade média da frota, teve uma forte redução de mais de 50%.

Outras linhas ficaram quase estagnadas ou negativas, como mostram os quadros abaixo.




A linha de seguros de bens é uma das que tem maior potencial de crescimento com o uso de soluções tecnológicas. Para o indivíduo, soluções que se adequem à sua necessidade de forma precisa, com o uso de georreferenciamento, enriquecimento de dados, auto vistorias e uso de big data para precificação reduzirão o custo com maior amplitude de coberturas.

Além disso, no que se refere ao gerenciamento do risco – com monitoração de ambientes internos e externos usando IoT, drones e Cloud Computing – permitirá o ajuste em tempo real de apólices e atuação preventiva das seguradoras, reduzindo riscos e barateando o seguro.

*Por Renato Terzi (CEO do Gr1d Insurance)